Derivativos

Vega: quanto a opção vale a mais (ou a menos) por causa da volatilidade

⚠ Este post contém números ilustrativos/exemplo usados para explicar a mecânica. Não são cotações reais de mercado. Ver nota no corpo do texto.

O post sobre vol histórica x implícita mostrou que a volatilidade implícita sobe e desce sozinha, independente do preço do ativo. Vega é a grega que traduz esse movimento em reais: quanto o preço da opção muda pra cada ponto percentual de mudança na volatilidade implícita, com o ativo parado.

Onde vega é alta

Gráfico do vega de uma opção em função do preço do ativo, para dois prazos diferentes, mostrando que o vega é maior perto do ATM e cresce com o tempo até o vencimento

Vega é máxima perto do ATM (onde o valor extrínseco também é maior, os posts sobre call e put já mostraram esse padrão) e cai perto de zero nas duas pontas, longe do strike. Diferente da gamma, que fica mais concentrada perto do vencimento, vega faz o oposto: quanto mais tempo até o vencimento, maior o vega. Faz sentido, uma opção com mais tempo pela frente tem mais chances de a volatilidade real se manifestar antes do vencimento, então o preço dela é mais sensível a uma mudança na expectativa de volatilidade.

A armadilha de quem só olha o ativo

É perfeitamente possível uma opção perder valor com o ativo completamente parado, só porque a volatilidade implícita caiu. Isso pega muita gente de surpresa: “o ativo não se mexeu, por que minha opção perdeu dinheiro?”. A resposta quase sempre é vega. O exemplo mais didático é o “IV crush” descrito no post sobre vol histórica x implícita: comprar opção às vésperas de um evento, com IV inflada, e ver o prêmio derreter depois do evento, mesmo que o ativo tenha reagido pouco, é vega negativo trabalhando contra quem comprou.

Vega e a posição líquida da estrutura

Comprar opção (call ou put) sempre dá vega positivo: você ganha se a volatilidade sobe. Vender opção dá vega negativo: você ganha se a volatilidade cai. Estruturas com duas pernas (trava, collar) somam os vegas de cada perna, e o resultado pode ser vega positivo, negativo, ou quase neutro, dependendo de quanto cada perna pesa. Antes de montar qualquer estrutura, vale somar o vega líquido da posição inteira, não só olhar cada perna isolada: é comum uma estrutura parecer “neutra à direção” no delta e ainda carregar uma exposição relevante a volatilidade escondida no vega, que só aparece quando a vol se move de verdade.

O gráfico usa parâmetros ilustrativos (K=100, juro 10,5% a.a., vol. implícita 28% a.a., comparando 45 e 10 dias úteis até o vencimento). Não é cotação de nenhum ativo real.

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Conteúdo informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento. Operações com opções e derivativos envolvem risco, inclusive de perda superior ao capital alocado.

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