Theta: o aluguel que toda opção comprada paga, todo dia
⚠ Este post contém números ilustrativos/exemplo usados para explicar a mecânica. Não são cotações reais de mercado. Ver nota no corpo do texto.
Os posts sobre call e put já mostraram que o valor extrínseco evapora até o vencimento. Theta é a grega que mede a velocidade exata dessa evaporação: quanto a opção perde de valor, em reais, só por passar um dia, com o ativo e a volatilidade completamente parados.
O formato da curva
Theta é negativo pra quem comprou a opção (ela perde valor com o tempo) e positivo pra quem vendeu (o vendedor lucra com essa mesma perda, é o prêmio que ele recebeu à vista sendo “ganho” dia a dia). Ele é mais negativo perto do ATM, exatamente onde o valor extrínseco é maior, e praticamente zero nas pontas, onde a opção já tem pouco ou nenhum valor extrínseco pra perder. Repara também que a opção com 10 dias de vida tem um theta bem mais negativo no fundo do vale do que a de 45 dias: o decaimento acelera conforme o vencimento se aproxima, o mesmo efeito que o gráfico de valor extrínseco dos posts sobre call e put já sugeria, só que agora medido dia a dia.
O “aluguel” da opção comprada
Uma forma útil de pensar em theta: quem compra opção está, de certa forma, pagando um aluguel diário pelo direito que ela representa, mesmo que não perceba isso de forma explícita. Esse aluguel não é constante, ele cresce (em módulo) conforme o vencimento se aproxima, então o mesmo prêmio nominal representa uma sangria diária cada vez maior nas últimas semanas de vida da opção. É por isso que comprar opção muito perto do vencimento, esperando um movimento lento do ativo, é estruturalmente desfavorável: o custo do tempo corre contra você mais rápido bem no momento em que sobra menos tempo pra tese se confirmar.
Vender theta não é dinheiro de graça
Do outro lado, vender opção pra “receber theta” é uma estratégia real e usada com frequência (venda coberta, estruturas de renda), mas theta positivo nunca vem sozinho: quem vende opção também está vendido em gamma e em vega, como os dois posts anteriores desta série mostraram. Receber o aluguel do tempo é a compensação por carregar o risco de um movimento brusco do ativo (gamma) ou uma expansão de volatilidade (vega). Tratar theta como “renda garantida”, ignorando o resto da carteira de gregas que vem junto, é o erro mais comum de quem começa a vender opção achando que encontrou dinheiro fácil.
O gráfico usa parâmetros ilustrativos (K=100, juro 10,5% a.a., vol. implícita 28% a.a., comparando 45 e 10 dias úteis até o vencimento). Não é cotação de nenhum ativo real.
Conteúdo informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento. Operações com opções e derivativos envolvem risco, inclusive de perda superior ao capital alocado.
