Derivativos

Charm: o delta que muda sozinho, mesmo sem o ativo se mexer

⚠ Este post contém números ilustrativos/exemplo usados para explicar a mecânica. Não são cotações reais de mercado. Ver nota no corpo do texto.

Delta muda quando o ativo se move. Isso é gamma, já coberto nesta série. Mas o delta também muda sozinho, mesmo com o ativo absolutamente parado, só porque um dia a menos ficou até o vencimento. Essa segunda fonte de mudança do delta tem nome: charm, também chamado às vezes de “delta decay”.

Como a curva se comporta

Gráfico do charm de uma call em função do preço do ativo, mostrando valores negativos abaixo do strike e positivos acima

Pra uma call, o padrão típico é: charm negativo abaixo do strike, charm positivo acima do strike. A leitura é direta. Numa call fora do dinheiro (ativo abaixo do strike), o delta tende a cair conforme o tempo passa sem o ativo se mover, porque a cada dia que passa sem o ativo reagir fica mais provável que a opção termine sem valor, então o mercado atribui menos “chance de virar ITM” a ela. Numa call dentro do dinheiro, o oposto: o delta tende a subir em direção a 1 conforme o tempo passa, porque fica mais certo que ela vai ser exercida.

Por que isso importa pra quem faz hedge

Uma mesa que mantém posição delta-neutra precisa reajustar o hedge todo dia, mesmo em dias de ativo completamente parado, só por causa do charm. Isso é frequentemente esquecido por quem aprende só delta e gamma: dá pra montar uma posição perfeitamente neutra hoje à noite e acordar amanhã de manhã, com o ativo no mesmo preço exato, já fora de neutro, só porque um dia passou. O ajuste de hedge motivado por charm costuma ser mais previsível que o motivado por gamma (não depende de o ativo se mexer, só do calendário), o que permite, até certo ponto, antecipar esse rebalanceamento.

Charm no mercado real

Charm ganhou atenção fora dos livros-texto nos últimos anos porque mesas grandes com posições vendidas em opções (formadores de mercado, principalmente) precisam ajustar hedge por causa dele de forma sistemática, gerando fluxo de compra ou venda no ativo subjacente que não tem nada a ver com notícia ou fundamento, só com o calendário de vencimento das opções em aberto. Combinado com vanna (o assunto do próximo post desta série), esse fluxo mecânico é hoje discutido como um dos fatores que amplificam certos movimentos de mercado perto de datas de vencimento de opções, especialmente em índices com grande volume de opções em aberto.

O gráfico usa parâmetros ilustrativos (K=100, 45 dias úteis, juro 10,5% a.a., vol. implícita 28% a.a.). Não é cotação de nenhum ativo real.

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Conteúdo informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento. Operações com opções e derivativos envolvem risco, inclusive de perda superior ao capital alocado.

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